A importância do adestramento para o bem-estar do cachorro

Publicado em 23/02/2018

Um dos conceitos de adestramento é a “aplicação da análise do comportamento que usa os eventos do ambiente e suas consequências para modificar os hábitos do cachorro, tanto para auxiliar em atividades específicas, tomar ações particulares ou até mesmo para participar efetivamente da vida doméstica contemporânea”. Ou seja, adestrar vai muito além de ensinar “comandos” como sentar, deitar, dar a pata, ficar, dentre outros.

Um cão adestrado é mais obediente também porque está acostumado a regras e conhece o sentido de limite. O grande benefício é manter um relacionamento equilibrado com um animal que pratica e conhece as regras estabelecidas e aprende por meio das interações com o ambiente (tanto em casa quanto na rua). O treinamento em si é definido pela mudança proposital do comportamento canino e o aumento do vínculo entre o tutor e o cão, o que faz bem para ambos.

Muitas vezes a ideia de adestrar surge somente quando alguém se incomoda com o mau comportamento ou a falta de regras do animal. Por isso, os adestradores recomendam começar o trabalho o quanto antes. Para ter um cachorro comportado, existe uma série de elementos que devem ser trabalhados: socialização, saciedade das necessidades de exercício, satisfação do estímulo mental e limites. Adotando essa rotina de comportamento, a chance de educar bem o seu cão é grande.

Pensando nisso, a revista Pet em Foco conversou com alguns especialistas em adestramento para conhecer técnicas e como fazer um adestramento positivo em seu “cãopanheiro”.

Reforço positivo

A socialização do cão ao ingressar em uma família é fundamental e, geralmente, é subvalorizada. A adestradora e proprietária da Auprender, Ana Werkema, ressalta que aprender a como conversar com o cão e entender o que ele “fala” são atitudes fundamentais. “Adestrar não é basicamente o comando, mas sim todo o processo. Envolve a casa inteira. A primeira vez que vou à casa de um cliente, peço que toda a família esteja presente. Minha intenção é gerar o equilíbrio. O tédio e o estresse são as principais causas de um cão mal-educado. E, para isso, é necessário que o cachorro tenha regras, horários de alimentação e também seja capaz de se socializar com outros cachorros. Os comandos são importantes para alcançar o resultado final”. Mas, para que o trabalho em parceria com o adestrador funcione, o cachorro precisa ter referência. “Por isso, a participação do dono é fundamental, pois não adianta o adestrador fazer o trabalho sozinho”, salienta Ana.

Para o proprietário do Espaço Canino Luiz Adestramento Hotel e Creche, Roberto Luiz da Silva, “a parte positiva é tudo aquilo que traz prazer, tanto para o cão quanto para o proprietário. Mas, para isso, é necessário manter a constância na forma de conduzir, é preciso ter uma sequência nos exercícios, nos comandos feitos com o animal para que ele aprenda”, esclarece.

Ana Werkema ainda ressalta que os cachorros têm alguns dos comportamentos dos humanos. “Alguns cães, hoje em dia, têm bipolaridade, transtorno obsessivo, hiperatividade e ansiedade. E, até nisso, o adestramento positivo entra para inserir o tratamento do animal”, finaliza.

Período de socialização

Quando o assunto é o momento certo para o início do adestramento, o profissional Augusto Rezende Lavinas, proprietário da Leau Pet, esclarece que o ideal é quando o cachorro chega à família, com dois meses: “O período de socialização do cachorro é até os quatro meses, quando preciso apresentar tudo aquilo que vai fazer parte da vida dele. Depois desse período, já se torna mais difícil socializá-lo com determinadas coisas e situações”, explica.

Já para o médico veterinário e proprietário da Adestra BH, Daniel Vieira, o ideal e trabalhado por eles é a partir de 45 a 50 dias de idade. “A partir do momento em que colocamos o cão em casa – desde que ele já tenha sido desmamado – nós temos que começar a instruí-lo, mostrando o que deve ser feito e o que não deve. São técnicas de reforço positivo, corrigindo maus comportamentos para que ele aprenda como se portar”, aponta. Daniel ainda ressalta que, a partir do momento em que acontece um bom adestramento, a boa relação se estabelece e o animal se torna um ótimo morador daquele recinto.

Além da importância do início do período de socialização, Augusto Lavinas ainda esclarece sobre a necessidade do aprendizado da linguagem corporal. “Quando se escolhe ter um cão, é preciso ter um relacionamento com um ser de outra espécie. Aprender a como conversar, entender o que ele ‘fala’ são fundamentais no convívio entre o proprietário e o seu animal. O primeiro fator que consiste no trabalho da linguagem corporal e adestramento positivo é o dono aprender a lidar com o cachorro que possui, trabalhando a socialização e a educação”, diz o proprietário da Leau Pet.

Linguagem corporal

Entender o que o cachorro está tentando transmitir só é de fato realizado com sucesso quando o tutor participa de um trabalho junto ao profissional e também estuda o seu cão. “Você precisa entender o que seu animal ‘fala’. Se, por exemplo, ele apresenta um mau comportamento em determinado ambiente, significa que não está satisfeito no espaço. Sendo assim, é necessário respeitá-lo e levá-lo embora. Se o seu cachorro permanece em uma situação de stress, isso piora e, para liberar essa ansiedade, ele pode morder alguém. Diante dessa atitude, você o leva embora, fazendo com que ele aprenda um novo comando negativo”, explica Wagner Siqueira, proprietário do Siqueira Adestrador BH.

O médico-veterinário Daniel Vieira destaca também que a linguagem corporal é uma das técnicas usadas por ele na hora de praticar o adestramento. “Os cães utilizam a linguagem corporal o tempo inteiro. Por isso, temos que utilizar a nossa. Para um bom relacionamento entre tutor e cão é necessário que um entenda a linguagem do outro. É interessante que o dono do animal entenda a psicologia canina para que, assim, ela possa ser utilizada a favor dele. Isso é imprescindível no processo de adestramento. A partir de uma boa comunicação, você cria um ótimo vínculo com o seu cão. Você estabelece regras e limites, liderança, submissão da parte do cão e isso traz calma e equilíbrio. Tudo começa a funcionar com a linguagem corporal”, finaliza.

Escolha

Segundo a adestradora e franqueada do Cão Cidadão, Ingred Rose, na hora de escolher um adestrador, é importante perguntar qual método ele utiliza . “Recomendo o baseado em reforço positivo, onde o cachorro aprenderá de forma prazerosa, sendo sempre recompensado– por petisco, brinquedo, carinho ou até mesmo elogios – quando tiver o comportamento desejado. É importante também saber se a pessoa é carinhosa e paciente mesmo longe do tutor. Os animais aprendem por repetição, então, é importantíssimo que o adestrador tenha essa conexão e paciência com os animais”, explica.

O segredo do sucesso para um bom adestramento – além de técnicas e conhecimentos para alterar o comportamento de um cão de uma forma que seja o mais compatível ao bem-estar do animal – é que o profissional ame o que faz e ame os cães. Além disso, é imprescindível que o tutor tenha tempo e disposição suficientes para seguir o programa de treinamento. Em um trabalho conjunto, há melhores resultados constantemente. Por isso, no momento de adotar ou comprar seu “cãopanheiro”, procure um profissional que entenda o perfil do seu animal. Também é importante conhecer um pouco mais da psicologia canina e você terá momentos ainda mais prazerosos com seu parceiro!

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